Uma cidade que não dorme
Por vezes entro noite adentro por uma simples incapacidade de deixar meus olhos fecharem para o mundo que fica acordado.
Nessas noites minha observação se aguça e presto atenção a detalhes deixados para trás durante o dia turbulento nesta grande cidade chamada São Paulo. Detalhes que não se mostram a luz do sol ou do dia nublado.
A cidade nunca dorme e com ela ficam acordadas tantas coisas que se perdem para quem se deita e é embalado pelo sono de uma noite de descanço.
Luzes de apartamentos que permanecem acessas por todos os prédios. O brilho fugidio de uma televisão com mais um filme “inédito”. Um riso ali, uma conversa aqui. O barulho de carros que passam, às vezes suavemente, outras nem tanto. Um caminhão de lixo. Um caminhão em serviço. Um avião que passa ao longe e parece sobrevoar bem baixinho. Lojas de conveniência, convenientemente abertas aos perambulos noturnos. Bares de segunda a domingo. E trabalhadores, milhares deles, em seu turno silencioso, quase que inexistentes para os mortais habituais que usufruem do período diurno, mas que sem eles esta cidade não existiria em sua eterna função 24 horas.
Uma cidade que apesar de todos os congestionamentos intermináveis, dos perigos, do barulho incessante, da poluição visual e olfativa, é única em sua complexidade e totalidade no cenário brasileiro.
A minha, a nossa cidade, São Paulo.




A minha, a nossa cidade, São Paulo.
Amo seu contraste. Do pobre ao rico, da luz ao apagão, do sossego ao insuportável, do lanche ao banquete, da mocinha à puta e por aí vai.
E adoro notar São Paulo enquanto muitos dormem. É realmemte nesse momento que a gente sente o quanto ela pulsa mesmo que ainda em descanso.
Não troco essa cidade por nada…